quarta-feira, 1 de junho de 2011




Algumas observações anotadas por Walter Benjamin no capítulo M (O Flâneur) das Passagens:

O caso em que o flâneur se distancia totalmente do passeador filosófico e assume os traços de lobisomem a vagar irriquieto em uma selva social foi fixado pela primeira vez - e de maneira definitiva - por Poe em seu conto "O homem da multidão".

Dialética da flanerie: de um lado, o homem que se sente olhado por tudo e por todos, como um verdadeiro suspeito; de outro, o homem que dificilmente pode ser encontrado, o escondido. É provavelmente essa dialética que se desenvolve em "O homem da multidão".

A ociosidade do flâneur é um protesto contra a divisão do trabalho.

A fantasmagoria do flâneur: a partir dos rostos, fazer a leitura da profissão, da origem e do caráter.

O flâneur noturno. "Amanhã, talvez,...o sonambulismo terá desaparecido. Mas pelo menos terá vivido bem, durante os trinta ou quarenta anos que terá durado... O homem pode descansar de tempos em tempos, as paradas e as estações lhe são permitidas; mas ele não tem o direito de dormir." 

"Balzac viveu...uma vida marcada pela pressa dessenfreada e pelo colapso prematuro, tal como a luta pela existência na sociedade moderna a impõe ao habitante das grandes cidades...A existência de Balzac é o primeiro exemplo de um gênio que compartilha dessa vida comum e a vive como sua."  

"Aquilo que os homens chamam amor é coisa bem pequena, restrita e frágil, se comparada a essa inefável orgia, a essa santa prostituição da alma que se entrega por inteiro, poesia e caridade, ao imprevisto que surge, ao desconhecido que passa."


(...)Flanar é ser vagabundo e refletir, é ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação
ligado ao da vadiagem.
(...)É vagabundagem? Talvez. Flanar é a distinção de perambular com inteligência. Nada como o
inútil para ser artístico. Daí o desocupado flâneur ter sempre na mente dez mil coisas
necessárias, imprescindíveis, que podem ficar eternamJoão ente adiadas. (...)'' (A rua - João do Rio)

Encontrei na internet essa "definição" do flanêur feita por do Rio, acredito que nosso primeiro flanador nacional. Uma de suas obras mais conhecidas "A alma encantadora das ruas" e sua biografia asseguram esse título.

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