Descansa no meu corpo
Como a ave cansada de voar
Descansa sobre o meu corpo
Decanta essa angústia
Dá-me a tua ânsia
E esquece como quem morre
Fenece como quem sofre
Demores sem relutância
Deixa que eu te ame
Que eu te devore
A dor
Como quem quer transformar
O embate vão das coisas
Em torpor
Como quem destila
O velho sangue turvo
Deixa que eu te devolva o ar
Que eu te renove as asas
De fuligem impregnadas
Para que possas novamente voar
Que eu padeça minha alma
Em teus nervos
Para ficar como marca estranha
No eflúvio que emana
Da tua alma
Até a tua última entranha

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