A borboleta passou a noite inteira
com uma beleza de morte vindoura
na contiguidade de suas asas
Sua sombra dançou à sua volta
Morreria de inanição e ausência de memória.
O tempo cresparia de uma só vez a lassidão em suas células.
Se assim permanecesse...
Na contemplação muda de sua sombra.
Como eu, preso à sua imagem cada vez mais pálida
No cansaço de minhas pálpebras
Mas eu poderia a qualquer momento levantar-me
E abandonar aquele idílio imagético
E esquecê-la
E deixá-la
Viver por si só
O meu olhar em nada lhe constrangia?
Nem sequer havia se prostrado ali
Para que eu a observasse?
A minha superioridade
Estava em mim
Pelo fato de eu saber-me
Homem
E pela convicção que em mim se adensava
De que a beleza em suas asas
Existia para o bem dos meus olhos
E que a borboleta não morreria,
Permaneceria...
Presa à parede
Na contemplação muda
De sua sombra...
Indestrutível.
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