Em meu peito
algo de frio bate
há um mudo baque de estrelas
há algo de estreito no rio
que balbucio
apenas um fio de água
num leito vazio
que corre na noite
insuspeito
é um rio, embora estreito
que nasce no meu peito
há peixes tentando reproduzir
um novo embate
ao brilho que desfazem ao retinir
de suas escamas
contra as pedras que debastam
ao refulgir
há esferas fundas de tempo
que os dias perfazem
há longas esperas
que as noites encerram
Foi numa noite dessas
que achei esse fio
esse longo fio
que enovelo e enlaço
as suas volutas me entrego, aceito
quando me deito nesse leito frio
e as águas tranquilas desse rio
devasso.
em seu leito límpido
não há seixo, nem caniço, lasso
no rio estreito que nasce no meu peito
e morre no teu abraço.
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