sábado, 13 de agosto de 2011
Madalena
De passear pelas ruas
despida
Madalena
sentia um profundo prazer
e de jogar beijo aos meninos
e pão aos peixes
nunca quis tomar lugar
entre as gentes
com roupas e casas elegantes
nunca quis adentrar os domingos
com um homem reto
entre o braço e o colo ondulante
e, no entanto, sempre os cotovelos
passando dobrados,
sempre a noite lhe chamando
E ela também passando passava
seu sorriso carregado de tão leve desencanto
sem se valer da fúria que lhe cabia
nunca foi dessas de se orgulhar da própria melancolia
ou dessas para as quais é a renúncia
a forma mais vívida e profunda
de se desejar algo
mas trazia naquele sorriso
detrás daquela dor tão breve
um sonho tão bem resguardado e intenso
que poderia a qualquer momento
absorver toda a paisagem inerte.
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