sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Estou fogo
na fria manhã
um fogo frio, embora também
queime, queimo como gelo
queima
sem alarido sem artifício
com a minha pele contígua
a essa manhã
nas tardes desfraldadas
como velas
em que a areia
nos erode
e a fronde do adeus
permanece imóvel
signos inscritos na pele
nos imitamos a voz
estranhos mimetismos
de repente nos atravessam
estam a deslizar
para qualquer parte do nosso corpo
tão próximo,
mas quando o vórtice vocifera
a ilha inaugurada
se dilacera
a tarde que se perdeu no que era
o osso e o nosso
vira carne e fosso
é do preclaro
que o vento sopra
a noite no olvido

Nenhum comentário:

Postar um comentário